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Assim como a lua, sou feita de fases!

3 de dez. de 2010

Acontecimento

Andando pelas ruas da cidade, tento observar detalhes que passam despercebidos aos olhos da população apressada. Uma coisa que me chamou muita atenção, foram duas crianças pequenas, descalças, sujas e mal vestidas sentadas na calçada. O olhar delas imploravam por ajuda e a boca pedia desesperadamente por um pedaço de pão. Diminui o passo e continuei a observá-las. Derrepente, provavelmente a mãe delas, se aproxima e oferece-lhes o último pedaço de fruta que estava em suas mãos, e elas comem rapidamente e fazem cara de quem não estão satisfeitas. Ela assenta-se junto a elas e abaixa a cabeça sobre os joelhos. Ela também se encontra bem suja e descalça. Pensei em parar para conversar com ela, mas meu estranho medo pedia pra eu continuar. Quando estava quase deixando-os para trás, uma das crianças me olha suplicante e pede: "-Moça, fala pra mamãe não chorar que agente vai ficar bem." Eu olhei para a mulher, derrotada em prantos, assentei-me ao lado dela e perguntei o que estava acontecendo. Ela mal conseguia falar entre os soluços, e seus filhos estavam quase deixando seus olhinhos despejarem as lágrimas acumuladas e juntando-se ao desespero da mãe. Sem saber o que fazer deixei meu orgulho de lado e abraçei a mulher naquelas condições. Ela dizia incessantemente que não aguentava mais ver os filhos comendo restos e que ela já não tinha mais esperanças, que ela estava cansada de lutar pela sobrevivência. Eu dizia para ela acalmar-se que ela estava assustando os filhos. Derrepente ela parou de chorar, esfregou os olhos com aquelas mãos imundas e me perguntou entre poucos soluços: "-Por que você parou? E por que nos observava?" Sem ter uma resposta concreta disse: "-Não sei. Mas seus filhos me chamaram atenção. Mesmo eu estando acostumada com este tipo de cena, ainda me choco. E se eu puder ajudar em algo, o faço, mesmo temerosa." A mulher abaixa a cabeça novamente e diz:"-Obrigada!" Ela pega a mão das crianças e vai embora. Eu os acompanho com os olhos sentada na calçada até que desapareçam das minhas vistas. Fico ali por um tempo refletindo sobre aquilo, e depois eu também vou embora para casa pensativa.

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