Andando pelas ruas da cidade, tento observar detalhes que passam despercebidos aos olhos da população apressada. Uma coisa que me chamou muita atenção, foram duas crianças pequenas, descalças, sujas e mal vestidas sentadas na calçada. O olhar delas imploravam por ajuda e a boca pedia desesperadamente por um pedaço de pão. Diminui o passo e continuei a observá-las. Derrepente, provavelmente a mãe delas, se aproxima e oferece-lhes o último pedaço de fruta que estava em suas mãos, e elas comem rapidamente e fazem cara de quem não estão satisfeitas. Ela assenta-se junto a elas e abaixa a cabeça sobre os joelhos. Ela também se encontra bem suja e descalça. Pensei em parar para conversar com ela, mas meu estranho medo pedia pra eu continuar. Quando estava quase deixando-os para trás, uma das crianças me olha suplicante e pede: "-Moça, fala pra mamãe não chorar que agente vai ficar bem." Eu olhei para a mulher, derrotada em prantos, assentei-me ao lado dela e perguntei o que estava acontecendo. Ela mal conseguia falar entre os soluços, e seus filhos estavam quase deixando seus olhinhos despejarem as lágrimas acumuladas e juntando-se ao desespero da mãe. Sem saber o que fazer deixei meu orgulho de lado e abraçei a mulher naquelas condições. Ela dizia incessantemente que não aguentava mais ver os filhos comendo restos e que ela já não tinha mais esperanças, que ela estava cansada de lutar pela sobrevivência. Eu dizia para ela acalmar-se que ela estava assustando os filhos. Derrepente ela parou de chorar, esfregou os olhos com aquelas mãos imundas e me perguntou entre poucos soluços: "-Por que você parou? E por que nos observava?" Sem ter uma resposta concreta disse: "-Não sei. Mas seus filhos me chamaram atenção. Mesmo eu estando acostumada com este tipo de cena, ainda me choco. E se eu puder ajudar em algo, o faço, mesmo temerosa." A mulher abaixa a cabeça novamente e diz:"-Obrigada!" Ela pega a mão das crianças e vai embora. Eu os acompanho com os olhos sentada na calçada até que desapareçam das minhas vistas. Fico ali por um tempo refletindo sobre aquilo, e depois eu também vou embora para casa pensativa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário