Deitada aninhada nos teus braços eu perco a noção do tempo, meia noite, uma, duas horas da manhã, o tempo passa e eu durmo sem pretensão de acordar. O calor do teu corpo me envolve de tal maneira que mesmo quente eu me sinto arrepiada, o teu cheiro embebeda minha alma e teu rosto fixa nos meus sonhos. Eu quero eternizar este momento, por mais que eu saiba que quando eu levantar do sofá e passar por aquela porta tudo terá tido um fim. É estranho que após tudo isso, agente ainda não acredita que dará certo. Colocamos tantos empecilhos que até nossas noites perfeitas acabam por desfazer em lembranças. Agente se machuca por pouca coisa, e acabamos por perder aquele brilho intenso do começo pra cairmos na monotonia do princípio do fim. Não era pra ser assim, não era pra haver intervenções, não era pra estarmos desgastados... Ás vezes acredito que devemos insistir, mas às vezes quero jogar tudo pro alto e deixar tudo que vivemos cair num abismo, de onde nada volte. Acho que é este seu jeito instável que me deixa à deriva de qualquer decisão. É essa tua falta de rumo que me deixa sempre a espera de uma resposta concreta da tua boca, inutilmente. A tua omissão às vezes me agride, me tornando mais agressiva também, e é isso que nos faz continuar nesta incessante degladiação, sempre guerriando por nada, ou por quase nada, levando nossas mentes e corações à exaustão. Diz-me agora, como podemos continuar deste jeito, se a confiança inexiste, se nossas tentativas são sempre fracassadas, se você divide teus sentimentos, se tudo conspira contra? Por mais que doa, o tempo é o único capaz de nos dizer se ainda temos alguma chance de persistir, a saudade nos dirá exatamente pra qual caminho devemos ir e do que devemos correr atrás. Nos resta apenas esperar...
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