Com uma caneta ou um lápis, em um pedaço em branco de papel tento me encontrar em alguma das minhas palavras. Porque a cada dia que passa me perco mais nas minhas atitudes, quebro princípios, ignoro imposições, machuco-me para esquecer outras dores e até me divirto com isso. Parece meio masoquista, mas a fumaça, o líquido, os prazeres do mundo, tudo me parece válvulas de escape. Talvez sejam as piores fugas, porém o que está acumulado precisa sair de alguma forma, antes que eu exploda. Sinto-me pequena demais para abrigar uma alma tão espaçosa e autoritária. É como se eu quisesse colocar um mar inteiro dentro de uma piscina de mil litros, impossível. Quando não couber mais a piscina arrebentará e o mar se expandirá para todas as direções e provavelmente causará estragos. Às vezes penso que ainda não estou cheia até a borda, mas me sinto prestes a arrebentar, porém às vezes penso que já estourei e só ando fazendo estragos por onde passo. Seria bom se pudesse me expandir para horizontes distantes onde nada me parasse e muito menos sentisse minha presença!
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