Às vezes acho que eu deveria pertencer a outro mundo, principalmente quando vejo os absurdos que o ser humano é capaz de fazer contra a sua própria espécie. É estranho ver o homem acabando com florestas, rios, mares, faunas e floras com o pretexto de 'evoluir', de se 'modernizar'. Acabar com sua própria casa, o meio ambiente, é evolução? Acabar com recursos indispensáveis para sua sobrevivência é moderno? Se a resposta for sim, sinceramente, eu estou no lugar errado. Nada disso pertence as minhas convicções. Cheguei a um ponto em que viver em sociedade me cansa, estar sozinha às vezes me parece mais vantagem. Fico em paz quando não ouço nenhuma voz, nenhuma gritaria do dia-a-dia, contento-me apenas com o canto dos pássaros, melhores companhias do que muita gente por aí... A sociedade é cansativa, o cotidiano é maçante e a rotina é torturante, e o que me salva desse inferno que é a civilização é meu mundo paralelo, onde as coisas são perfeitas, onde o céu tem mais cor e as estrelas maior brilho, onde os animais são livres de torturas e as águas livres de poluição, onde o ar é respirável e o sol não queima tanto. Parece algo ilusório, e pode até ser num primeiro instante, mas quando você tem um mundo particular a realidade se torna mais tolerável. Não digo para desprender-se de todo o mundo real e abastecer-se somente de imaginações, porque querendo ou não é necessário que encaremos o mundo objetivamente. Mas digo que precisamos de um descanso, mesmo que psicologicamente, em um lugar tranquilo, que deveria existir de fato se o ser humano soubesse o que é preservação, mas que somente é possível em nossos delírios.
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