... uma menina inocente, daquelas que sonhava com os contos de fadas e ansiava por seu príncipe encantado, que viria buscá-la em um cavalo branco e a faria feliz para sempre. A realidade sempre batia em sua porta, mas ela se negava a atender, continuava a alimentar seus sonhos de garota, suas fantasias, e cada vez se fechava mais em seu mundinho colorido, onde reinava a paz e o amor.
No seu mundo encantado ela vivia as estórias mais lindas e divertidas, era um lugar particular onde somente o que era bom podia entrar, somente o que convinha podia participar. Ninguém podia invadir e destruir sua fortaleza imaginária e ninguém ousava fazê-lo, exceto a realidade que vivia procurando uma brecha.
A menina vivia pelos cantos sozinha, às vezes com seus amigos imaginários, era como se o exterior fosse apenas algo ilusório que existia para chateá-la, e que as pessoas que estavam em sua volta estavam ali para rir dela, mas ela não se importava muito, pois sabia que o paraíso estaria esperando por ela no fundo de suas imaginações. Toda vez que se sentia sozinha (na maioria do tempo), a menina se refugiava em seus devaneios, onde a perfeição a carregava no colo e não a deixava chorar.
Seu sorriso era o mais lindo e sua risada a mais contagiante, que ela insistia em expor para provar que dentro de si é que estava a felicidade de fato. Sentia-se constantemente aborrecida pelo mundo não seguir seus padrões de realidade, ficava realmente impressionada com a crueldade exterior, por isso preferia esconder-se em sua mente e ficar tranquila na paz que exalava de seu interior.
A menina foi crescendo e seu mundo paralelo foi ficando pequeno para seus desejos e ela foi se acostumando com o mundo exterior que a cercava. Porém ela jamais abandonou seu mundinho, ela sempre dava um jeito de esticá-lo, o que ela não podia fazer é sair da bolha que ela mesma tinha criado.
Certa vez, ela permitiu que outra pessoa participasse de seu mundo perfeito, pensou que finalmente tinha encontrado alguém para lhe fazer companhia além de seus bichinhos fofos. Ela se sentia completa perto dele, sentia vontade de estar com ele sempre. O coraçãozinho daquela menina estava sentindo um sentimento novo, desconhecido, e ela mergulhou de cabeça esquecendo novamente a existência do mundo exterior. Até que um dia esse alguém fez seu mundo despedaçar.E foi assim várias vezes, ela tentou recomeçar de novo, de novo, de novo e de novo, reconstruir seus sonhos e a perfeição da paz e do amor, mas todos insistiam em fazer a mesma coisa, desmoronar e destruir seu paraíso, massacrar o seu mundo, ridicularizá-la e mostrá-la o quanto ela era idiota de alimentar uma ilusão tão mesquinha. E cada um que passava deixava um estrago maior, e ficava cada vez mais difícil levantar as paredes do seu mundo colorido.
Foi quando ela decidiu abrir a porta para a realidade e viu que seu mundo estúpido não passava de uma verdade inventada e fez questão de destruir e acabar com qualquer vestígio daquele lugar que a fez perder tanto tempo na vida. Ao colocar os pés no mundo real ficou perdida pelos labirintos escuros, mas decidiu enfrentar aquilo sozinha e do jeito dela.
E a doce menina inocente do começo da estória? Virou uma mulher fria e desiludida, desacreditada dos sentimentos estúpidos que um dia pensou que sentira. E continua caminhando no escuro procurando sua luz.
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